Governo sinaliza abertura de crédito mais fácil para as micro e pequenas empresas, que é a base da economia

Orientações

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), através de seu presidente, Gustavo Montezano, revelou, que as pequenas empresas, micro e médias empresas representam o foco do banco durante a crise da pandemia do novo coronavírus.

Numa reunião da Comissão Mista do Congresso Nacional que acompanha a situação fiscal e a execução orçamentária e financeira de medidas relacionadas à pandemia, na semana que passou, Gustavo Montezano disse que a prioridade do banco é fazer o crédito chegar a esse segmento da economia.

“Se fizermos uma comparação com grandes empresas, o aumento do crédito oferecido a micro, pequenas e médias empresas foi “modesto”, reconheceu Montezano.

Já em relação as grandes companhias, entre fevereiro e abril ocorreu um crescimento (no crédito) de R$ 100 bilhões, enquanto que para micro, pequenas e médias empresas, foi de R$ 10 bilhões (2%), afirmou.

“De um lado você tem os bancos falando que estão emprestando mais – é verdade, estão emprestando mais, cresceram 2% em dois meses, o que a gente pode dizer que é modesto – e, de outro lado, você tem as empresas falando que falta crédito, o que também é verdade”.

Gustavo Montezano justificou que aconteceu uma demanda de crédito por empresas que não possuíam canais de crédito, nunca precisaram de crédito e agora precisam.

“Nossas fraquezas se revelam neste momento. A verdade é que o crédito sempre foi restrito para elas e, nesse momento de pandemia, isso fica mais latente e mais claro ainda. A nossa visão é de que a gente pode fazer mais”, ressaltou.

Entre as ações do governo, o presidente do BNDES disse que o Tesouro está assumindo o risco das operações. Nesse sentido, destinou R$ 16 bilhões para o financiamento para custeio e investimentos dos médios produtores rurais em atividades agropecuárias (Pronamp), R$ 20 bilhões de potencial, afirmou.

Cadeia produtivas

As micro e pequenas empresas que fazem parte da cadeia produtiva de grandes setores da economia terão acesso a crédito facilitado pelo Programa Crédito Cadeias Produtivas do BNDES. A iniciativa faz parte de uma estratégia de atuação do Sebrae, alinhada ao governo federal por meio do Ministério da Economia, para fazer com que o crédito chegue aos pequenos negócios com melhores condições de juros e prazos de carência e pagamento.

O programa funciona através da concessão de crédito entre R$ 10 milhões e R$ 200 milhões para as grandes empresas – chamadas de empresas âncora, que se responsabilizam pelo risco de crédito e pelas eventuais garantias, e repassam, nas mesmas condições pactuadas com o BNDES, o financiamento para os seus pequenos e médios fornecedores ou distribuidores – chamados empresas ancoradas, garantindo assim, emprego e renda na cadeia produtiva.

Para as grandes empresas, a medida evita a perda de fornecedores e distribuidores, ao manter o fôlego financeiro desses pequenos negócios, quando a economia começar a reagir e atua contra atrasos de pagamentos ou de entregas na cadeia. Além disso, a empresa âncora poderá incluir na sua solicitação até 5% do valor total a ser repassado para os pequenos negócios, a título de capital de giro para seu próprio uso.

De acordo com o presidente do Sebrae, Carlos Melles, a iniciativa é uma forma de equacionar o problema do capital de giro das micro e pequenas empresas durante a crise, tendo em vista que grande parte dos custos dessas empresas (67,2%) envolve compra de materiais e insumos. Ele esclarece que a preservação das cadeias de produção e distribuição funcionando no país são fundamentais para a retomada econômica de um país. “Preservar as cadeias de produção não é apenas uma condição atual de manter micro e pequenas empresas ativas, mas possibilita que elas continuem sendo parte da cadeia de produção de grandes e médias empresas; o que acaba repercutindo positivamente em uma retomada e na possibilidade de um avanço em termos de renda e ocupação no país”, destacou.

O Sebrae também tem atuado para estimular e orientar as grandes empresas para que tenham contato com os pequenos negócios capacitados pela instituição para serem fornecedores em ações de encadeamento produtivo. De acordo Melles, as cadeias produtivas do varejo da Moda e de distribuição de alimentos têm apresentado interesse em participar do programa. “Esses segmentos estão muito atentos a essas questões, pois possuem uma cadeia mais longa e dependem muito dos pontos de venda, que em geral são pequenos negócios que oferecem o produto aos seus consumidores”, explicou.

As grandes empresas interessadas na linha de crédito já podem se habilitar junto ao BNDES. Desde o dia 15, o banco já disponibilizou acesso para o pedido de financiamento por meio da internet. As solicitações serão feitas diretamente pelo portal, via solicitação eletrônica >>> https://bit.ly/2VaYTkC

Saiba mais:
 
O que é o Programa Crédito Cadeias Produtivas?
O programa oferece Financiamento a capital de giro, direcionado a empresas de grande porte (empresas âncora), para atender a necessidade de liquidez de sua cadeia produtiva, formada por empresas de menor porte (empresas ancoradas).

Quem pode solicitar?
Empresas âncora com Receita Operacional Bruta igual ou superior a R$ 300 milhões, apurada no exercício social imediatamente anterior. Caso faça parte de um grupo econômico, esse indicador deverá ser avaliado observando-se o grupo.
Empresa âncora é aquela que estabelece relações contratuais com uma seleção de empresas, sejam elas fornecedoras ou distribuidoras da sua cadeia produtiva, com vistas a repassar recursos por ela obtidos no BNDES, nas mesmas condições pactuadas com o banco.

O que pode ser financiado e qual o limite de financiamento?
Capital de giro, com valor mínimo de R$ 10 milhões e máximo de R$ 200 milhões por empresa âncora. A empresa âncora poderá incluir em seu pleito até 5% do valor total a ser repassado para as empresas a título de capital de giro para seu próprio uso.

Qual é a taxa de juros oferecida e prazos?
Custo financeiro segue a taxa SELIC, com remuneração de 1,1% ao ano para o BNDES e taxa de risco de crédito variável, conforme risco do cliente e prazos do financiamento. O prazo dos empréstimos é de até 5 anos, com carência até 24 meses. Os pedidos devem ser solicitados até o dia 30 de setembro de 2020.

Como solicitar?
Antes do envio da solicitação de apoio direto, é necessário que o cliente possua habilitação junto ao BNDES. Para isso, é preciso acessar o Portal do Cliente, onde o sistema realiza diversas análises automáticas e inclusive, poderá direcionar o seu pedido para outros canais.  Saiba mais sobre o processo de habilitação ao clicar aqui. Após a conclusão dessa etapa, a empresa âncora pode acessar novamente o mesmo Portal do Cliente e protocolar o seu pedido de financiamento, na seção de Solicitações de Financiamento.

[Informações compiladas: Jornal Contábil e Agência SEBRAE de Notícias]