Fake news podem trazer impactos negativos à saúde pública, alertam especialistas

Dúvidas Comuns, Orientações, Prevenção

O que poderia ser uma ferramenta importante para a orientação quanto aos cuidados na prevenção ao Coronavírus, proporcionando tranquilidade neste momento em que a sociedade precisa estar comprometida com o enfrentamento da pandemia, as redes sociais têm dado espaço a pessoas que optam por mensagens perversas, disseminando mentiras e gerando dúvidas, por ignorância e, muitas vezes, por pura maldade. O uso correto da tecnologia da informação, por outro lado, pode ser um agente importante na busca de solução à crise gerada pelo Covid-19

Para combater as fake news várias instituições privadas e do poder público atuam como uma frente permanente de esclarecimento e combate, inclusive com responsabilidade penal tato para quem cria mensagens falsas como para quem dissemina conteúdos recebidos de terceiros.

O Ministério da Saúde, de forma inovadora, está disponibilizando um número de WhatsApp (número 61 99289-4640) para envio de mensagens da população para receber informações virais, que são apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira – veja nas imagens alguns exemplos.

Por meio deste canal exclusivo, qualquer cidadão poderá enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando.

Área médica aponta riscos

O que pode ser uma brincadeira – de péssimo gosto, por sinal – pode se tornar um caso grave. A veiculação e compartilhamento de informações falsas na área da saúde, por meio de redes sociais, blogs, sites ou aplicativos de mensagens, podem trazer consequências sérias à saúde individual e coletiva. Esses impactos podem envolver, por exemplo, tratamentos questionáveis, alterações metabólicas do indivíduo e cobertura vacinal. No enfrentamento das chamadas fake news, deve-se aprender a filtrar as notícias e saber em quais veículos confiar.

A divulgação de notícias que questiona a segurança das vacinas, sem o devido embasamento, preocupa a infectologia e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, Marise Fonseca. A cobertura vacinal atual contra o sarampo e a poliomelite, doenças que eram consideradas erradicadas no Brasil, está abaixo da meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 95% das crianças até os cinco anos de idade. “Às vezes, as doenças controladas por campanhas que vêm ocorrendo ao longo do tempo são perdidas, a cobertura cai e a possibilidade de reintrodução de um vírus controlado, por exemplo, acontece e traz prejuízo à comunidade inteira”, alerta.

A circulação de notícias sobre vacinas perigosas, dietas milagrosas, alimentos que curam doenças graves e tratamentos alternativos para essas doenças também preocupa Marise Fonseca. “Muitas vezes, as pessoas veiculam notícias falsas sobre tratamentos alternativos de doenças sérias e as pessoas acabam abandonando tratamentos que são comprovadamente eficazes. E passam a experimentar outros, que não têm comprovações científicas”, exemplifica a professora.

Já a nutricionista e professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Adaliene Versiani, lembra que estudo publicado neste ano na revista Science atesta que fake news se propagam com velocidade superior às notícias verdadeiras. Para ela, a divulgação e compartilhamento das notícias devem ser filtrados, tanto pela incerteza da veracidade dos depoimentos das fontes quanto pela interpretação de determinada informação. A pessoa pode até se basear em um artigo científico ou fonte confiável, mas, se existir uma avaliação distorcida do assunto, haverá prejuízo no sentido passado pela informação.

As fake news são uma tendência nas áreas política, econômica e mesmo histórica, devido às trocas de informações e possibilidades de interação social proporcionadas pela internet. Hoje, segundo Adaliene Versiani, a mídia é muito mais diversa e as fontes de saberes são menos restritas a especialistas e estudiosos em dado assunto. Ela acredita que a seleção de notícias em tempos remotos era mais criteriosa. “As fontes eram de profissionais de referência nessas áreas de atuação em específico, por canais de comunicação, jornal, revista, emissora de TV e rádio, que faziam uma pré-seleção das pessoas que falariam as informações para o público”, afirma.

Fontes
Assessoria de Comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG
Ministério da Saúde – https://www.saude.gov.br/fakenews